Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

Ataque da Vovó

Ataque da Vovó
Vó Maria tentando salvar o tio Dodo dos raios solares em Caraguá

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Vera Lucia

Em 1953, Maria engravidou de Vera, e já cansada de ter seus filhos com parteiras em casa, decidiu aproveitar o benefício que a Empresa de Correios lhe oferecia como funcionária, de ter assistência médica e parto em um hospital de convênio no Rio de Janeiro. Assim, perto do nascimento da filha, partiram ela e o marido para o Rio de Janeiro, e próximos à entrada da cidade, Maria começou a sentir as primeiras contrações, mas não quis afobar Osvaldo, e agüentou como pôde aquelas dores até que pudessem chegar ao hospital. Lá chegando, logo foi encaminhada pelos médicos à sala de parto, isto acontecendo ao final da tarde. Oswaldo teve de esperar na recepção, e impaciente como era, logo deixou o hospital.
Enquanto isso Maria seguia sentindo as contrações, sem, contudo ter dilatação suficiente para o parto, situação esta que durou até o final da noite, quando a cerca das 23 h, seu médico pediu às enfermeiras que lhe preparassem para cesárea. Mas a caminho da sala de cirurgia, ela não pôde mais esperar, e a menina nasceu na maca.
Passado o susto, a menina foi levada ao berçário, e Maria foi para o quarto de recuperação, mas antes perguntou às enfermeiras sobre seu marido, que não sabiam informar nada a esse respeito. Ela então esperou até o dia seguinte, quando lhe trouxeram o bebê para amamentar. Com a chegada do bebê, Maria ficou aturdida: aquela não era sua filha, esta menina era morena, cabeluda e gordinha, a sua filha ao nascer era branquinha e miúda. Maria apavorada chorava e gritava a todos que queria sua filha, que eles a haviam trocado. Desesperada e sem saber do marido, agitou toda a maternidade, que ao final conseguiram achar sua filha que teve a pulseira trocada por engano.
Agora sua missão era encontrar o marido, o que depois de muito especular, conseguiu saber que ele tinha voltado para Mogi com um conhecido seu que fazia entrega de verduras no Rio de Janeiro, e que só voltaria no outro dia para buscá-la. Assim foi feito, no dia posterior Oswaldo apareceu com o verdureiro para buscar Maria e a pequena Vera, tentando explicar à esposa que tinha voltado a Mogi, pois seu comércio não podia parar, e por isso tinham de voltar o quanto antes, desta forma tomou as duas, mãe e filha para uma viagem tenebrosa de retorno à Mogi.

Foram todos de carona no caminhão de verduras, pela estrada de terra, num calor abafante e naquela boléia nada confortável para quem acabara de dar a luz.

Nesta época mudaram-se para uma casa maior, na Rua Francisco Franco, a caminho do Hospital Ipiranga.

Osvaldo continuava com as entregas de leite em carroça por Mogi e arredores.

Mogi havia crescido muito na última década, e o comercio de leite tinha boa saída. Maria continuava trabalhando na agência de Correios do centro da cidade e percebeu que havia uma boa casa para alugar em frente a seu trabalho, e logo pediu a Osvaldo que se mudassem para lá e novamente a família ajeitou-se em novo lar. Como a família aumentara e suas economias estavam melhorando, decidiram contratar uma babá para cuidar das crianças enquanto trabalhavam.

Na ocasião em que Vera era bebê, Osvaldo começou a fazer carretos de entregas pela Dutra, juntamente com Paulo, o irmão de Maria.

Ele conduzia o caminhão e Paulo cuidava da negociação com os fornecedores. Em certa feita, seguiam os dois com uma carga de óleo para o Rio de Janeiro, quando na descida da Serra das Araras, o caminhão perdeu o freio, e nesta época a rodovia ainda era bem precária, e a pista era de mão dupla. O caminhão não tinha como parar e muito menos acostamento na pista. Naquele desespero Osvaldo tentava segurar o caminhão na descida, esbarrando nas encostas e desviando dos outros carros, mas apavorado, Paulo queria saltar do caminhão desgovernado e Osvaldo teve de ser forte também para segurá-lo a tempo de não ocorrer uma fatalidade. Neste ínterim entre batidas e desvios, óleo que estava na carroceria foi se espalhando pela estrada. E por fim, Osvaldo encontrou um pequeno acostamento no qual desviou o caminhão indo de encontro a um barranco, onde conseguiu parar o caminhão aos pedaços, mas por incrível que pareça os dois homens sofreram apenas pequenas escoriações.

Maria, quando soube do acidente foi até o local para buscar o marido e o irmão, e pelo caminho via os sinais do estrago feito pelo caminhão que derrubou óleo pela estrada.

Ao retornarem a Mogi, Osvaldo decidiu mudar de emprego e de casa mais uma vez. Foram morar na esquina da Deodato com a Cel. Souza Franco.

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