Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

Ataque da Vovó

Ataque da Vovó
Vó Maria tentando salvar o tio Dodo dos raios solares em Caraguá

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Partida para Mogi

Era 1934 e a mocinha Alaíde estava passando por maus bocados por causa de seu problema nos ossos, e àquela época teve de ficar internada em São Paulo para fazer o tratamento.

Como os filhos mais velhos já estavam em Mogi, dona Zezé e seu Augusto decidiram se mudar mais uma vez, para ficar mais perto dos filhos e tentar recomeçar no interior de São Paulo.

Naquele tempo, as grandes viagens se faziam em trens. Dona Zezé preparou-se para mudança outra vez, no dia antes da viagem matou dois frangos e os assou, depois juntou com uma farofa para comer no caminho de Lambari a Mogi. A família estava reduzida aos pais, e as crianças, Paulo com 13 anos, Maria com 11 e Lalau com 9.

Ao chegarem a Mogi, Zito foi buscar na estação os pais e os irmãos para ficarem em sua casa, que ficava bem perto, ao lado da Praça Sacadura Cabral. Ao reencontrar Maria depois de alguns anos, lhe deu um grande abraço, dizendo como estava bonita e crescida. Nesta época, Zito já havia se casado com Lourdes e tinha duas crianças: Zilda e Walter.

Em Mogi, a família também reencontrou Geralda, filha de Tia Nhá, e a mãe de dona Zezé, que morava com ela, seu José e os filhos.

A família aos poucos foi se adaptando ao ritmo da nova cidade, indo morar num sobrado perto da estação ferroviária, onde Dona Zezé começou a confabular formas de obter o sustento da casa. Algum tempo depois, montou com a ajuda das meninas uma pensão que servia refeições caseiras à população local e viajantes da ferrovia.

Neste período de adaptação, Maria entrou em profunda depressão, porque não gostara da mudança; sentia falta do ambiente agradável do Sul de Minas. Mogi era frio, de arder os ossos por causa da umidade, tinha uma neblina constante, além da garoa contínua que deixava tudo molhado, e também pelo fato do barulho constante dos trens e das cancelas da estação. Ela olhava pela janela do sobrado tentando enxergar o caminho de Minas, e chorava inconformada.

Mas como havia de ser, teve de se conformar e procurar outras motivações em Mogi. Dona Zezé como sempre preocupada com o futuro dos filhos queria que retornassem aos estudos. Ela dizia que suas filhas não deviam trabalhar sem antes terminar os estudos. Mas Maria soube que teria de voltar ao grupo escolar, pois o ensino que teve em Minas era muito fraco em comparação com o de Mogi, e ela se recusou a voltar ao primário, e ficou algum tempo sem estudar.

Até que surgiu a oportunidade de ingressar no curso preparatório de um colégio recém inaugurado, o Liceu Brás Cubas, onde fez o ginásio.

Como Maria também ajudava sua mãe na pensão, teve contato com diversos cidadãos mogianos, e um desses clientes lhe indicou para trabalhar na Agência de Correios, onde teve seu primeiro emprego registrado.

Nos primeiros meses de trabalho no correio, Maria fazia um pouco de tudo, desde o atendimento ao balcão até a faxina do local, mas mesmo assim, ela estava sendo seguida de perto pelo gerente da agência que procurava um motivo para dispensá-la, pois era de seu interesse que outra moça de seu afeto ocupasse este lugar. Assim este gerente mexeu seus pauzinhos para demiti-la, e certo dia lhe entregou uma carta dizendo que estava despedida pelo bem da saúde pública. Perplexa Maria chegou em casa sem saber como explicar o acontecido, e contou tudo a sua mãe, que indignada com a atitude do gerente da agência, tomou a filha pelas mãos, decidida a resolver a injustiça, levou-a até a agência central dos correios em São Paulo, procurando a diretoria da instituição para reclamar do acontecido. Desta forma foi aberto um inquérito à cerca da administração da agência em Mogi. Maria e seus colegas de trabalho prestaram depoimentos que ao final levou à transferência do gerente e ao afastamento de sua suposta amante, deixando que Maria retornasse ao trabalho na agência.

Em meados de 1943, no final da 2ª Guerra, Paulo foi chamado para integrar a força expedicionária do Brasil na guerra, e foi lutar na Itália contra a Entente de Hitler e Mussolini. Ficou por lá cerca de um ano, enquanto aqui, dona Zezé ficava chorando, desesperada por notícias.

Neste ínterim, Maria tornava-se uma moça bonita, de longos cabelos negros, do tipo mignon, muito faceira e dedicada e continuava trabalhado e estudando.

0 comentários:

Postar um comentário