Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

Ataque da Vovó

Ataque da Vovó
Vó Maria tentando salvar o tio Dodo dos raios solares em Caraguá

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ana Cristina


Durante a gestação de Aninha, Maria passava por maus momentos no verão daquele ano, estava muito quente e abafado naquela região úmida do Tietê, o que deixava o ar sufocante, dificultando a respiração das pessoas.

Conforme seu ventre crescia, Maria tinha cada vez mais dificuldades para respirar.

Neste mesmo momento, a filha mais velha, Virgínia, que tinha a saúde debilitada, apresentava agora uma séria desnutrição e fraqueza.

Osvaldo então teve a indicação de uma clínica de tratamento de crianças debilitadas em Campos do Jordão, e vendo o problema de sua esposa na temperatura alta daquele verão, decidiu levar toda a família para a Serra, onde alugou uma casinha no subúrbio da cidade, trazendo de Mogi vários colchões, uma mesa, um fogão e utensílios necessários para uma temporada. Ali instalou Maria aos 8 meses de gestante e os filhos.

Virginia foi levada para tratamento de saúde na clínica indicada, onde na mesma época também estava internada a prima Deise, filha de Zito.

Naquele ambiente fresco da montanha, Maria se renovou e passou muito bem o ultimo mês da gravidez, enquanto Osvaldo continuou a trabalhar em Mogi. Perto do nascimento de Aninha, Dona Zezé preocupada com a distância da filha, foi até lá para buscá-la com os filhos, a fim de que o bebê nascesse por perto.

Em pouco tempo vinha ao mundo outra filha, uma menina grande, saudável e gordinha. No entanto a outra menina, Vera apresentava uma saúde frágil por causa da bronquite.

As crianças mais velhas já estavam no grupo escolar. Virgínia estudava com muito gosto, mas em compensação os meninos deram muito trabalho para estudar, principalmente Paulinho, que era terrível, um moleque forte, grandão e invocado, era o mais indócil. Maria insistia muito para incentivar seus estudos, mas ele era arredio e fugia do grupo para ir brincar.

Em certo Natal, Maria pediu ao marido que comprasse um livro com figuras para estimular a leitura a Paulinho, na mesma ocasião, Osvaldo lhe deu uma espingadinha de chumbo. Paulinho ao receber os presentes tomou a espingarda e atirou no livro, deixando-o todo furado e sem ler uma página sequer.

Em outra ocasião, quando Aninha era bebê e descansava em seu berço, Paulinho jogou uma bomba caseira debaixo de seu colchão, que ao estourar jogou a menina para longe. Maria que passava pelo quarto naquele momento pegou a menina no pulo e aos berros.

Maria depois de acalmar a filha, pegou o chinelo e deu uma sova memorável em Paulinho por seu mau comportamento.

Em outro momento, quando Dodô e Deise brincavam no quarto, a pequena Ana que estava no berço, se pôs a chorar e as crianças que lanchavam por perto lhe entulharam mortadela pra que ela parasse com o choro, certamente que aquele alimento para um bebê não era o mais indicado. Uns anos depois, os primos Paulinho e Eurico estavam a passear de bicicleta na rua Dr. Deodato e decidiram levar Aninha na garupa para o passeio, mas por mal feito do destino, o pé da pequena menina ficou preso no aro da bicicleta e lhe fez um machucado grande, para desespero da mãe.

Algum tempo depois, mudaram-se para uma casa na Praça das Bandeiras.

Virgínia já era moça e começou a namorar João Kulsar no colégio Washington Luiz. Era ela e tia Alaíde quem cuidavam das crianças menores enquanto seus pais trabalhavam.

Havia muita fartura de alimentos naquela casa, com almoços fartos no quintal aos domingos.

Osvaldo costumava suprir bem a família em alimentos, mas não admitia gastos com roupas e assessórios de moda. Maria tinha que fazer este tipo de compras às escondidas com sua irmã, e dizia a Osvaldo que as roupas das crianças eram presentes de Alaíde.

Quando Paulinho e Euriquinho já eram rapazes, Osvaldo Luis ainda era um garoto e os meninos mais velhos, já maliciosos, embebedaram Dodô com bebidas de garrafinhas que ficavam na estante da casa como decoração.

Alaíde, que cuidava das crianças no momento, teve de levar Dodô às pressas para a Santa Casa para fazer uma lavagem estomacal no menino entorpecido.

Neste período a família foi morar em uma casa perto da Estação Ferroviária.

A família costumava passear bastante nesta época. Desde que eram pequenos os filho se acostumaram com as viagens a Caraguatatuba, onde encontravam os primos Geralda e José com seus 11 filhos. Algum tempo depois Osvaldo conseguiu comprar uma casa perto da cidade com um grande quintal.

Osvaldo também costumava a passear com os meninos em sua Romizeta, pela Serra do Itapeti e sítios ao redor de Mogi.

Maria a esta altura dos acontecimentos já estava com o corpo e a mente cansada por tanto trabalho e tanta responsabilidade com os filhos.

Osvaldo ainda era jovem e galanteador, não deixava faltar alimentos e utensílios para a casa, mas deixava a desejar quanto à assistência emocional a esposa.

Maria foi ao médico por causa de certas crises nervosas e o doutor lhe diagnosticou como stress e indicou um tratamento em clinica de repouso. Assim, Maria foi internada em uma clinica em Santos, onde passou por tratamentos por cerca de um mês.

A clínica tinha pacientes com vários níveis de doenças mentais, e os tratamentos muitas vezes eram à base de eletro choques, os quais Maria teve de submeter-se. Algumas vezes em que repousava na enfermaria, uma senhorinha aparecia com um tamanco na mão, a lhe bater na cabeça para acordar.

Foi uma fase muito complicada para Maria, que ainda na clínica, descobriu que estava grávida mais uma vez.

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