Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

Ataque da Vovó

Ataque da Vovó
Vó Maria tentando salvar o tio Dodo dos raios solares em Caraguá

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Causos do Tempo de Menina

A Benção de Nossa Senhora Aparecida

Maria era recém-nascida, antes mesmo de ser registrada, quando seus irmãos mais velhos, Zezeca e Zito saíram de casa para brincar em uma construção por perto de sua casa, nesta construção subiam e desciam dos andaimes e dos tijolos ali armazenados, e no meio desta fuzarca Zezeca se desequilibrou e levou um tombo feio, caindo num buraco, e assim provocando fraturas expostas em seu braço e deslocando a clavícula. Assim, foi parar no hospital com graves lesões que não cicatrizavam, e com o passar dos dias seu braço começou a escurecer, dando sinais de gangrena. Os médicos do hospital, preocupados, chamaram dona Zezé dizendo que seria necessário amputar seu braço, pois não havia forma de cicatrizar. Dona Zezé desesperada se pôs em prantos, dizendo que de forma alguma cortariam o braço de seu filho. Sendo muito religiosa, pegou-se com seus santos, pedindo em oração que salvasse o braço de seu filho. Procurou em suas bolsas um óleo bento que havia trazido do Santuário de Nossa Senhora Aparecida e correu até seu menino para passar em seus ferimentos, sempre pedindo a Deus que o salvasse.

Ao voltar para casa tomou a pequena Maria, (que ainda não havia recebido este nome), levantou-a aos céus e a consagrou a Nossa Senhora Aparecida, dizendo que poria seu nome santo na filha se seu filho fosse salvo da amputação do braço.

No dia seguinte os médicos a chamaram, espantados com a recuperação de Zezeca, perguntando o que ela havia feito para curar o menino. Ela então disse que fora obra do Senhor e da Virgem Maria.

Assim, a pequena menina foi chamada Maria Aparecida em homenagem à benção concedida por Nossa Senhora a seu filho enfermo.

Fazenda da Glória - Caçapava

Dona Zezé tinha uns parentes que moravam em Caçapava, sua irmã Nhá e o marido Pedro, que trabalhavam e moravam nas cercanias da Fazenda da Glória do tio Tonico, onde se produzia leite e queijo para o comércio do Vale do Paraíba. Dona Zezé mantinha contato com a irmã em Caçapava e algumas vezes faziam visitas com os filhos à fazenda da Glória, onde se conta que era muito grande e próspera. Sua irmã e primas eram gente muito amável e os recebiam com muito gosto. Assim, as crianças de dona Zezé de se fartavam de alegrias naquele lugar.

Certa vez em que foram visitar a fazenda, Maria ainda era bem pequena, uns 3 anos, e desde sempre fora muito faladeira e teimosa, quando foi apresentada a dona Nhá que a pegou no colo e fez umas gracinhas. Maria percebeu logo que ela tinha algo na pele de seu nariz que estava descascando, e disse: “tia Nhá nariz sem pele”, e todos ficaram espantados com sua displicência e a repreenderam, mas ela continuava com “tia Nhá nariz sem pele” e se ria disso. Suas filhas desconcertadas diziam que parasse e pedisse desculpas, mas ela não se fez de rogada e continuou com a falseta, então as moças da casa a levaram para o quarto escuro da casa, uma despensa na qual os meninos desobedientes eram colocados para cumprirem seu castigo. E Maria ficou lá, sem chorar e sem se arrepender do dito; as meninas de tempos em tempos voltavam e lhe pediam que se desculpasse, mas ela batia os pés e não admitia o erro, e assim ficou até que desistiram de seu castigo e a pequena Maria saiu leve e faceira para aprontar mais das suas.

Tratamentos Intensivos

Quando os meninos ainda eram pequenos, Dona Zezé costumava cuidar muito bem de toda família, sua comida era bem gostosa, apesar da vida simples havia muita limpeza e cuidados com a saúde, mas no caso de um dos filhos ter algum mal estar, mesmo que passageiro, ela logo tratava o doente com a vara de marmelo em uma mão e na outra uma colher de óleo de rícino, e ai de quem fugisse de seu tratamento, logo tomava uma varada nas pernas como resposta à desobediência.

Depois de algumas varadas e outras tantas goladas do tal remédio, Maria deixou de reclamar de qualquer mal estar.

Peripécias de Maria

A pequena Maria tinha uns 8 ou 9 anos quando sua mãe começou a ter de ir para São Paulo constantemente acompanhar o tratamento da osteomelite que atacava Alaíde, e ela ficava responsável pelos afazeres de casa, vigiada de perto pelos irmãos.

Zito tinha cuidados com ela, algumas vezes lhe trazia uns agrados, como uma roupinha bonita ou um brinquedo. Nesta época, em Lambari, ele começou a namorar uma moça que morava num sítio da zona rural, seu nome era Lourdes, com quem viria a se casar mais tarde.

Uma vez, Zito trouxe a namorada para casa, e seu pai havia falecido recentemente. Maria, na inocência de sua infância, percebeu que Lourdes não usava luto pela morte do pai, e estranhou, pois este era um costume corrente àquela época, então perguntou à namorada do irmão porque não usava o luto, e sem resposta ficou.

Zito, que estava responsável pela casa, começou a encher Maria de serviços além de reclamar de sua comida e exigir mais do que a pobre menina tinha condições de fazer com aquela idade, esta respondeu com indignação ao irmão, por isso levou logo uma sova de cinta que lhe deixou marcas.

Como seu pai não estava em casa, Maria encheu-se de razão e decidiu fugir daquela situação, dirigindo-se aos prantos à casa de uma prima que morava distante nas colinas da zona rural. Ao chegar à casa da prima mais velha, que tinha um bocado de crianças e vivia num rancho bem simples, Maria foi cuidada por ela, e ficou por lá até o dia seguinte.

Em sua casa, com a chegada do pai, e dado o sumiço da pequena Maria, todos se puseram em alvoroço a fim de encontrá-la. Procuraram a cidade inteira e nos arredores, desesperados perguntavam para todos pela menina fugida. Até que alguém informou tê-la visto caminhando em direção ao rancho da prima. Assim, o pai e o irmão arrependidos foram encontrá-la, pedindo desculpas, trouxeram-na de volta pra casa. Maria ofendida prometia contar tudo para a mãe quando esta voltasse de São Paulo, que pelo que dizem era uma pessoa correta, moralista e muito brava.

Dona Zezé Desbravadora

Dona Zezé não se conformava com a situação de poucos rendimentos em que se encontravam e das dificuldades que a família passava, e ficava matutando uma forma de progredir, por isso queria sempre se mudar para melhorar as oportunidades de trabalho e de estudos para os filhos.

Quando seus meninos mais velhos, Zezeca e Zito estavam em idade de trabalhar, ela mexeu seus pauzinhos para arrumar-lhes um futuro melhor. Assim, entrou em contato com o Tio Tonico, de Caçapava para arrumar-lhes um trabalho; então eles foram mandados para Mogi das Cruzes, onde estava outra parte da família que tinha alguns comércios. Zezeca começou a trabalhar numa confeitaria, aprendendo a fazer doces e Zito foi trabalhar na fábrica de leite pasteurizado.

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